Na igreja cristã primitiva oração não era tarefa de um pastor, sequer de um grupo de velhinhos ou de certas pessoas mais consagradas. Era ministério de toda a igreja. O livro de Atos diz sobre a igreja nascente: ‘E perseveravam na oração...’. Hoje, nas igrejas cristãs históricas, o que vale é o cantar, o celebrar e o agitar. Oração não costuma dar muito ibope, não. Mas, no início, a igreja era solidária até na oração. Havia entre os crentes a consciência de que a igreja precisava da oração deles. E como consequência havia resultados a celebrar.
As
orações dos crentes também eram contínuas. Os crentes insistiam
em oração, como Jesus recomendou (Lc 18.1-7). Hoje, a igreja está
perdendo fervor em suas orações. Muitos crentes pensam em oração
como um mero recurso psicológico. Oram para se sentirem mais leves
ou aliviados. Raramente encontramos um crente que esteja há 20
anos orando por uma conversão. Quantos, hoje, são capazes de orar
por 10 anos para receberem uma resposta? Oramos dois dias e, se a resposta
não vier, mudamos a agenda. Mas uma das marcas das orações da igreja
primitiva era a insistência.
As orações da igreja também tinham rumo certo. Eram diretas a Deus. Não eram feitas a santos nem a espíritos, mas a Deus. Os crentes não oravam como os fariseus, que discursavam para o povo: “Graças te dou porque não sou publicano como este aí.” Também não havia a “oração fofoca”: “Senhor, abençoa aquele nosso irmão que estava conversando com uma senhora não muito respeitada”. Não eram as palavras nem fórmulas. Era simplesmente o abrir do coração a Deus. Não eram peças de oratória. Não era conhecimento de regras gramaticais. Não havia a preocupação de impressionar alguém. Os crentes sabiam que Deus mede apenas o nosso sentimento e sinceridade; portanto, oravam.
As orações também eram objetivas. Ninguém dizia: “Senhor, abençoa o mundo!” Mesmo porque orando assim não saberiam se Deus respondeu à oração. Também não eram aquelas orações em que a pessoa começava por Gênesis, passava pelos livros apócrifos e terminava com o Cantor Cristão, que vinha acoplado à sua Bíblia. Nenhum crente ficava ensinando coisas a Deus. As pessoas sabiam dizer claramente a Deus aquilo que os afligia. As palavras não eram jogadas fora.
Analise
a sua vida de oração: você é um intercessor? Ora na igreja?
Tem solidariedade pelos outros? Vê os problemas dos outros como
problemas da sua vida? É objetivo, ou depois de ter orado não
disse nada? Pare para pensar: o que já consegui na oração? É
capaz de apontar uma resposta que Deus mostrou? Ou orou e nunca teve
uma resposta? Seus amigos o procuram para que você ore por eles?
O mundo mergulhou no ocultismo, nos cristais e coisas tais. É que numa época racionalista, as pessoas sentem falta de algo sobrenatural. Hoje o mundo vê em nossas igrejas muita cantoria e, às vezes, muita briga. Há igrejas com muito louvor, mas sem vida de oração e sem evidências do poder de Deus. Mas a oração transforma pessoas e muda a igreja. A oração toca o coração de Deus, toca o nosso coração e nos transforma.
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