SOMOS SIMPLES MORDOMOS
O que é um pastor? Ele é o sócio majoritário da Igreja? É o manda-chuva da comunidade eclesiástica? É um empresário da fé, que administra um negócio chamado “Igreja”? É um burocrata a serviço do Reino de Deus?
Hoje, olhando para certas igrejas, a gente fica com a nítida impressão de que pastor é tudo isso. Mas é uma visão bem diferente daquilo que o Novo Testamento nos ensina.
A igreja de Corinto estava centrada em homens. Uns achavam que o melhor pastor para ela seria o pioneiro Paulo. Outros pensavam que a igreja precisava de alguém mais afinado com os judeus, como Pedro. Havia os que desejavam um orador brilhante, como Apolo. Aquela igreja estava dependendo de líderes humanos. Ela queria seguir grandes nomes e girar em torno deles. Então, o apóstolo Paulo coloca os pastores no seu devido lugar, dizendo: "...que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus" (1Co 4.1).
Já vimos que huperetes (ministros) era uma referência aos remadores que ficavam na parte de baixo dos navios daquela época. Eles obedeciam às ordens de uma autoridade superior, Jesus Cristo. Eles não apareciam, apenas remavam. Não eram superiores, mas humildes ajudantes de Cristo.
Eram também despenseiros. A palavra grega usada aqui é oikonomos, que pode ser traduzida por mordomos, ecônomos, administradores, dirigentes da casa. O oikonomo era o homem de confiança que zelava pela boa utilização dos bens do patrão. Era alguém que tinha a chave da despensa. Ele ficava encarregado de providenciar o alimento e todas as coisas necessárias a uma grande propriedade. Depois, ele prestava contas, não aos seus colegas, mas ao seu Senhor. Paulo diz: “que os homens nos vejam como encarregados de revelar os mistérios de Deus”.
Hoje, há pastores que estão construindo um império financeiro. Há os que são mais empresários do que expositores bíblicos. Há os que gastam mais de 90% do seu tempo em burocracia eclesiástica. Mas Deus espera que os pastores sejam peritos em Bíblia. Sejam reveladores dos “mistérios de Deus”. Mistérios aqui são as sublimes verdades de Deus, que eram desconhecidas pelos homens, mas que nos foram reveladas no Evangelho de Cristo. Então, Deus espera que os pastores ajudem os crentes na compreensão da Palavra e dos propósitos de Deus em Cristo.
Deus também espera que o pastor seja um serviçal de confiança, e não o Senhor da Igreja. Os oikonomos tinham a chave da despensa, mas não eram donos. A autoridade deles estava relacionada com a fidelidade à Palavra do Senhor. Eles sabiam que um dia teriam de prestar contas ao seu Senhor. Por isso, pastor não é alguém que domina os crentes. Ele não tem que ter a última palavra em tudo. Também não deve ser bajulador de ninguém. Ele sabe que a sua autoridade é delegada. Ela não vem por ele ter uma voz impostada, o peito estufado, a roupa bem talhada, e títulos acadêmicos ou eclesiásticos. Ele sabe muito bem que uma pessoa pode ter tudo isso, e não impressionar Deus. A sua obediência ao Senhor é que lhe aufere autoridade.
A função do pastor é ser fiel ao evangelho de Cristo. Não deve privar os crentes daquilo que Deus providenciou para eles. Ele deve garantir que o alimento certo para a Alma chegue na hora certa, conforme desejo do Seu Senhor.