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QUANDO A TRAGÉDIA VEM SOBRE NÓS



E quando o terremoto vem sobre as nossas vidas? O que dizer quando a enchente que trás o caos é na nossa porta? E como se portar quando o acidente acontece conosco? O Salmo 46 nos dá a resposta: “Deus é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia”.
    
Baseado nele, Lutero escreveu o hino que tem sido cantado por milhões de cristãos, em todo o mundo, ao longo de séculos: “Castelo Forte é nosso Deus, escudo e boa espada. Com seu poder defende o seus, a sua Igreja amada”.
    
Lembro-me quando capotei um carro, com a família dentro. Saímos todos ilesos, e várias pessoas prontamente nos ajudaram, oferecendo telefone celular para falar com quem quiséssemos. Telefonei para o Automóvel Club de Portugal, que me tranquilizou, dizendo que enviaria uma viatura para me ajudar. Tudo ficou melhor quando o socorro chegou. O rapaz me disse: “Agora seu carro está sob a nossa guarda. Providenciaremos um táxi para levá-los para casa, e daqui a dois dias telefonaremos para saber onde quer que deixemos seu carro”. Pois bem, Deus é nosso socorro tranquilizador quando o imprevisto e a tragédia batem à nossa porta.
    
A tradição judaica diz que o Salmo foi escrito para celebrar a ação de Deus quando Senaqueribe, rei da Assíria, a maior potência daqueles dias, invadiu Judá e cercou Jerusalém. O termo de rendição era mais ou menos este: “Rendam-se, pois todos  os reis que tentaram resistir só são lembrados no Dia de Finados”. O povo buscou ao Senhor, que enviou uma mensagem pelo profeta Isaías: “Senaqueribe não entrará em Jerusalém. Pelo caminho que veio, voltará”.
    
Algum tempo antes, Deus iluminou o rei Ezequias para tapar todas as evidências de água fora da cidade de Jerusalém (2Cr 32.3,4 e 30). De sorte que, dentro da cidade havia água; mas fora, não. Então, em meio à adversidade, o povo se comovia: “Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus... Deus está no meio dela, e não será abalada; Deus a  ajudará desde o amanhecer” (Sl 46.4,5). Beber daquelas águas trazia alegria e a certeza de que Deus estava com eles e os ajudaria naquela situação.
    
Um dia, o atalaia subiu à sua torre para ver a posição dos inimigos, e ficou surpreso. Lançou um grito para todo o povo de Jerusalém: “Vinde, contemplai as obras do Senhor, que devastações fez na terra. Ele acaba com as guerras...; quebra o arco e despedaça a lança...”(Sl 46.8,9). A Bíblia diz que o anjo do Senhor passou sobre o exército de Senaqueribe, e 185 mil soldados morreram. Heródoto, o historiador, explicou que foi uma peste bubônica. Imagine um grande exército sem água, e sem as mínimas condições de higiene. Então, como profetizou Isaías, Senaqueribe regressou à Assíria, sem invadir Jerusalém.
    
Agora temos a palavra direta de Deus para nós quando enfrentamos o caos: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra” (Sl 46.10). O poeta sacro diz a mesma coisa, só que em outras palavras: “Oh! que paz perdemos sempre. Oh! que dor no coração! Só porque nós não levamos tudo a Deus em oração!”
    
Este Salmo foi escrito para ser cantado pelas mulheres. Pois eram elas que costumavam celebrar a vitória dos seus guerreiros. Foi assim  na passagem pelo Mar Vermelho; na vitória de Davi sobre o gigante Golias, e  agora na vitória que Deus lhes deu sobre Senaqueribe.
    
Gosto da lembrança de que “O Deus de Jacó é o nosso refúgio (Sl 46.7,11)”. É que Jacó é o maior estelionatário da Bíblia. Ele enganou seu irmão gêmeo duas vezes e até seu pai velhinho que era cego. Para conseguir o que queria, Jacó era um homem sem escrúpulos. Até que teve um encontro real com Deus e se converteu. Então, Deus mudou seu nome para Israel. Mas o Salmista não diz: “O Deus de Israel é nosso refúgio!”. Ele celebra um Deus que age em nosso favor, mesmo quando nós não merecemos. O Salmo celebra o amor e a graça do nosso Deus, que sempre está presente quando precisamos dEle. Uma pergunta: Você já tem este Deus na sua vida? Ele não é cartão de crédito, mas cabe aqui um conselho: “Não saia por aí sem Ele”.


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