Quem vê os anúncios de TV das
nossas instituições bancárias fica realmente encantado. Cada qual mais solícita
e preocupada com o bem-estar dos seus clientes. E já reparou nos seus
slogans? Um é “o banco que foi feito
para você“. O outro “quer realizar seus sonhos“. Há o que “quer crescer com
você“. Alguns dizem: “fale com o gerente!” Mas, vá lá tentar conversar com ele.
Você vai tomar um chá-de-cadeira tal que passará todo o dia à sua espera e, se
calhar, não conseguirá chegar nem ao subgerente.
Na minha adolescência,
costumava parar no Bob’s e pedir um Big Bob. Era um sanduíche tão grande, que
tinha de pegá-lo com as duas mãos. Só que, com o passar dos anos, em que pese o
preço sempre aumentar, o sanduíche foi encolhendo, e hoje deveria se chamar
Mini Bob. Mas, no cartaz, lá está o velho Big Bob: grande, belo, e apetitoso.
Decepcionado, constato que a foto é sempre muito mais bonita do que o
sanduíche.
Quem leu “Bênção e Maldição”,
do Pastor Jorge Linhares, se deparou com muitos testemunhos, querendo provar
que “há poder em nossas palavras”. É o carro que dava pane e ele orou, abençoando-o, e nunca mais deu
problemas. É o pé de abóbora que nunca ia pra frente, mas que ele o curou,
dizendo: “Eu te abençoo, ó aboboreira!” Três meses depois estava cheinho de
abóboras. O Pastor Isaltino Gomes Coelho
Filho, analisando o livro, disse que “deveríamos chamar esse homem para resolver
o problema da seca do Nordeste”. E pensar que o governo está gastando uma nota
preta na transposição do Velho Chico, e temos uma solução muito mais simples.
Sem dúvida, ele deveria ser contratado pela FAO para acabar com a fome no
mundo. A verdade é que o livro é sempre mais fascinante que a realidade. E
ainda há gente crédula nisso!
Quem leu “Os Carismáticos”, de
John MacArthur Jr., uma publicação dos anos 80, se deparou com as diversas narrativas de cura em cultos pentecostais. O
autor fala num médico que resolveu checar a saúde das pessoas que se disseram
curadas nos cultos da televangelista Kathryn Kuhlman. Primeiro, reparou que
muitos daqueles doentes que vieram em cadeiras de rodas, e se declararam
curados no culto, voltavam pra casa em cadeiras de rodas. E, dos 82 casos, 23
foram entrevistados, e a sua conclusão final era de que, infelizmente, “nenhuma
das chamadas curas era legítima”.
Creio em milagres. Inclusive já
fui alvo do poder miraculoso de Deus. Mas concordo com o Pastor Ed Renê Kivitz
quando diz que “o evangelho apresentado pelos evangélicos é mais bonito na
televisão do que na vida”. E acrescenta: “Os testemunhos dos abençoados são
mais espetaculares do que a realidade dos cristãos comuns. De vez em quando
fico assistindo a estes programas, e penso que é jogada de marketing,
testemunho falso. Mas o fato é que podem ser testemunho por amostragem, isto é,
entre os muitos que faliram, há sempre dois ou três que deram certo. O
testemunho é vendido como regra, mas na verdade é apenas exceção”.
Deus deseja “a verdade no
íntimo”. Ninguém precisa forjar milagres, curas ou qualquer outra coisa para
mostrar um Deus poderoso. Deus não precisa de marketing; empresas e falsos
profetas, sim!
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