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O POLÍTICO CRENTE EM QUEM EU VOTARIA



Quando iniciava o ministério pastoral em Guaíba, RS, um dia apareceu lá no meu gabinete um irmão de uma igreja evangélica, que veio me pedir apoio político para a sua candidatura a vereador da cidade. Queria representar os evangélicos ali. Era um cidadão honesto, bom crente, e acima de qualquer suspeita. Mas eu lhe perguntei quais eram os seus planos e projetos caso conseguisse se eleger. Não os tinha. Não me apresentou uma única proposta para uma cidade que vivia abandonada pelo poder público. O sujeito tinha boas intenções mas, caso vencesse, certamente seria mera “massa de manobra” de gente despudorada que adora encontrar ingênuos na política.

Em pleito passado, um pastor evangélico muito querido se candidatou a deputado. Era experiente, íntegro, com vida bonita, e cheio de boas ideias para melhorar o sistema. Meu irmão gêmeo, muito amigo dele, disse-lhe: “Estou preocupado com você porque, nesses nossos dias, não vi um único crente eleito para deputado ou governador que tenha saído de lá imaculado, com a reputação de um homem sério, comprometido com Jesus”. Sincero, o candidato respondeu: “É por isso que também estou pedindo a sua oração”. Foi eleito. Apesar do início promissor, foi cooptado pelos vícios do poder. Logo, todos perceberam que ele não fazia nenhuma diferença ali. E o pior,  no final da legislatura  ninguém se lembrava de que ele era pastor. A sua performance foi tão ruim que, tentando se reeleger, mandou fazer uns “santinhos” só com seu nome, partido, e número eleitoral. A palavra pastor ficou de fora. Como muitos crentes são ingênuos, mas não são burros, não foi reeleito.

Ouço alguns pastores dizendo que crentes na política são melhores do que os não-crentes. E eu gostaria muito que fosse assim, mas não é. Se um crente é tão ruim quanto o não-crente, na verdade ele é muito pior. Por duas razões: ele já conhece a vontade de Deus.  Outra, nas suas faltas e omissões, ele denigre o Evangelho, e faz o nome de Deus ser blasfemado. Nessa época, quando surgem muitos políticos vestidos de crente, com linguajar de crente, cheios de simpatia e promessas às igrejas, devemos ter muito cuidado. Alguns são lobos com “roupa” de crente, e a única coisa que querem é o nosso voto. Por isso, muito cuidado com candidato que, de manhã está cantando e orando em culto evangélico, à tarde está comungando na missa, e à noite está batucando na umbanda. E mais cuidado ainda com pastores que estão fazendo do seu rebanho um curral eleitoral. Não os siga.

Ao político crente não basta ser íntegro; precisa também ser competente. E ser bom crente, íntegro e competente não é ter uma visão paroquial da vida. Afinal, ele vai trabalhar  para (e representar) todos os brasileiros, e não somente os crentes.

Eu só pensaria em votar num candidato crente se ele, inicialmente, estivesse comprometido até os cabelos com Jesus. Votaria, sim, num cidadão que abraçasse na vida os valores do Evangelho. Alguém que, longe da política, já se identificasse com o caráter santo de Jesus. Uma pessoa em quem eu veja as marcas da presença de Cristo em seu viver.
 
Depois, para receber meu voto, esse crente teria de exibir na vida os valores éticos da nossa fé. Eu teria de estar convicto de que ele não precisa de um decreto que lhe proíba contratar parentes, porque ele não está na política para se dar bem ou enriquecer a família. Ele nunca toparia apresentar notas fiscais falsas para justificar suas despesas. E, até na campanha, ele não aceitaria caixa dois, ou dinheiro de laranjas. Enfim, só votaria em alguém que eu tenha certeza de que ele não negociaria seus valores para encher seu bolso.

Eu me inclinaria a votar num político crente se, além do que disse acima,  ele fosse  apaixonado por um ideal, que apresentasse projetos e ideias claras para realizar seu ideal.  Alguém que “não sendo  deste mundo”, vivesse nele. Ou seja, um crente que conhecesse muito bem os problemas das cidades brasileiras e tivesse boas propostas de soluções para elas. Teria que ser também uma pessoa que, quando vivia longe da política, já se interessasse pelo bem do próximo. 

Já estou ouvindo você dizer: “Ah, pastor, mas tudo isso é muito difícil !”  É mesmo. Por isso, ainda estou considerando em quem votar.


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