No
Evangelho de Lucas temos o relato do nascimento de Jesus pela ótica de Maria. É
muito provável que tenha obtido esta informação da própria Maria, já que ele
fez “uma
investigação acurada de tudo desde sua origem” (1.4). E o que Maria tem
a nos dizer sobre o nascimento de Jesus?
Em primeiro lugar, para Maria, Natal
é Graça. Foi o que
lhe disse o anjo: “Não temas porque achaste graça diante de Deus (1.30)”. Segundo
o anjo, Deus não estava impressionado com suas virtudes. Ela foi eleita segundo
a graça de Deus, e não por seus próprios
méritos. Mas o que é graça? Graça é um
mérito que não temos e uma dádiva que não merecemos. Religião é o homem
tentando chegar a Deus, mas a graça é Deus tomando a iniciativa de se chegar ao
homem. Natal é Deus demonstrando Sua boa vontade para conosco. Assim, Ele nos
enviou Jesus.
Em segundo lugar, para Maria, Natal
é alegria pela presença de Deus. O anjo lhe disse: “Alegra-te muito, agraciada, o Senhor é
contigo (1.28)”. Natal é alegria por termos sido favorecidos por Deus.
O fato de Deus se voltar para nós com misericórdia alegra o nosso coração. Para
Maria, e para o crente em geral, a alegria do Natal não vem por causa de uma
mesa farta, pelos presentes recebidos, ou pela companhia da família em festa,
mas pela presença do Deus gracioso conosco. O Deus rico em glória nasce na
manjedoura do nosso coração. Isso é Natal.
Em terceiro lugar, para Maria, Natal
é milagre. O anjo
também lhe disse: “Descerá sobre Ti o Espírito Santo e o poder do Altíssimo...; por isso
o ente santo que há de nascer, será chamado Filho de Deus” (1.35). Os
milagres não são estranhos para quem é Deus. Natal é Deus agindo de uma maneira
impossível para o homem.
Em quarto lugar, para Maria, Natal é
um mistério. O
Natal não pode ser abrangido, em sua totalidade, pela nossa razão. Foi assim
que o anjo anunciou a Maria: “Porque para Deus não há impossíveis em
todas as suas promessas” (1.37). Existe uma sabedoria em Deus que
ultrapassa tudo aquilo que a imaginação humana pode conter. Natal é mistério.
Ele supera tudo o que qualquer ser neste universo poderia imaginar que Deus
realizaria.
Em quinto lugar, para Maria, Natal é
dependência e obediência. Foi o que disse Maria: “Aqui está a tua serva, que se cumpra em mim
conforme a tua palavra” (1.38). Não há qualquer honra especial da parte
da serva Maria. Não há lugar para culto ou reverência a ela. Nós reconhecemos a
sua atitude de submissão, e queremos ser achados na mesma atitude. Mas Natal é
culto e adoração ao único nome dado entre os homens pelo qual somos salvos (At
4.12). Natal é exaltação de Jesus Cristo.
Em sexto lugar, para Maria, Natal é
salvação em Deus. Foi
o que ela cantou: “Então disse Maria: a minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito
se alegrou em Deus, meu Salvador...” (1.46). Encontramos aqui, segundo
Lucas, aquela que também foi salva pelo braço valoroso de Deus. O Salvador de
Maria é o salvador de toda a humanidade. Ela, como todos nós pecadores, em
Cristo Jesus recebeu o Dom gratuito da vida eterna.
Em último lugar, para Maria, Natal é
bem-aventurança. Ela
disse: “Pois, desde agora, todas as
gerações me considerarão bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes
coisas...” (1.48b-49). A razão da sua felicidade não está nela própria.
Está no fato de o Poderoso ter realizado grandes coisas em sua vida. Sucesso é
quando Deus consegue fazer grandes coisas em nós, por nós e através de nós.
Sucesso é quando Deus consegue fazer em nós o que Ele quer. Deus tomou a vida
de Maria e usou-a para realizar o Seu plano de salvar o mundo através de Jesus.
E a sua vida, já é um sucesso para
Deus? Ele pode também pegar a sua vida e fazê-la bênção à sua volta?
Pastor Renato Cordeiro de
Souza
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