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Primeira Igreja Batista em Teresópolis


 

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MEDO DO SILÊNCIO

Vivendo fora do Brasil por uns anos, de longe aprendi a identificar grupos brasileiros. Era simples: todos falavam e ouviam ao mesmo tempo. Percebi claramente isso diante da postura dos portugueses.



  O homem moderno se incomoda com o silêncio. Muitas pessoas mal chegam a casa, do trabalho, e a primeira coisa que fazem é ligar o som ou a televisão, mesmo não querendo ouvir música ou qualquer programa na TV. É a pessoa que entra no carro e logo liga o aparelho de som. Ela simplesmente não topa o silêncio. Precisa ter a sensação de que não está só. 
 

     De fato, ficar em silêncio pode ser insuportável. A pessoa pode descobrir, no silêncio, o quanto a sua vida é fútil. O silêncio pode nos segredar que falta-nos sentido pra vida. Ele até mesmo pode nos mostrar, aos gritos, realidades nossas que preferíamos que ficassem adormecidas.  
 

     Quando era pastor de Guaíba, no Sul do Brasil, conheci o Jorge Sasso. Um cara bem apessoado, educado, bem empregado, com casa e carro próprios, e solteiro. Jorge era dessas pessoas que toda mãe gostaria para genro. Além de trabalhar muito, ele fazia caratê, pintura e vários cursos. A sua vida era extremamente agitada. Quase nunca estava parado. Sempre tinha coisa pra fazer. Um dia, no caratê, recebeu um golpe no pescoço e teve de ser levado às pressas para o hospital. Ficou seis meses engessado, das pernas até a cabeça. Aí, descobriu por que não parava: era um sujeito vazio. Percebeu que a única maneira de não ter de lidar com a falta de sentido da sua vida era fazendo coisas. Como não podia se mexer pra nada, desejou a morte. Então, gritava, pedindo às enfermeiras que o matassem.  
 

     Houve um tempo em que o silêncio era precioso aos recintos cristãos. Era sinal de respeito e de sintonia espiritual. Com frequência, nos templos, encontrávamos placas espalhadas pelo auditório, dizendo: “Silêncio e Oração”. Algumas igrejas chegavam a pintar nas paredes frases bíblicas, como: “O Senhor está em seu santo templo: cale-se toda a terra”. Até mesmo nos cultos havia o silêncio de contrição. Era quando o crente reverenciava o seu Deus e se recolhia para ouvir o Senhor falar ao seu interior. Também, muitas vezes, o silêncio do adorador era um meio dele expressar a inadequação das suas palavras diante de Deus. Nesse tempo, culto era um convite à introspecção e à oração. 
 

     Mas, hoje, igreja calada não dá ibope. Silêncio se tornou sinônimo de desânimo e tristeza. As nossas igrejas que outrora eram lugares de silêncio, reflexão e santidade tornaram-se locais de barulho. E já que culto se tornou sinônimo de festa, por associação, ele deve ser cheio de algazarra, irreverência e estridência. Antigamente os crentes estremeciam ante a presença santa de Deus. Hoje estremecem pela altura das caixas de som. Para muitos, uma igreja avivada tem de ser barulhenta e agitada. Quando uma igreja é reflexiva e ordeira, costuma ser vista por muitos como sem vigor espiritual. 
 

     Quando penso nisso, me lembro de Elias. Ele estava numa tremenda depressão. Pediu a morte e achava que era o único fiel a Deus. Assim, Elias decidiu entrar numa caverna. Com muita paciência, Deus lhe disse para sair da caverna, pois ia se manifestar a ele. Então, diz a Bíblia, Deus enviou um grande e forte vento, depois um terremoto e ainda um fogo, mas o Senhor não estava em nada disso. Depois lhe enviou uma brisa mansa e suave. Ali, naquele lugar calmo, Deus falou ao coração de Elias e levantou-o.  
 

     Talvez Deus não tenha ainda falado como quer ao seu coração porque você  anda muito agitado. Sua vida é um grande barulho? Então, aquiete-se. Entre no seu aposento, como ensinou Jesus, e abra-se para Deus.  

     Descobri que Deus tem predileção pelo silêncio. É na quietude que Ele gosta de ter um encontro com as nossas vidas. Então, não tenha medo do silêncio. Deus muitas vezes está ali. Ouça-O. 


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