De
fato, ficar em silêncio pode ser insuportável. A pessoa pode descobrir,
no silêncio, o quanto a sua vida é fútil. O silêncio pode nos
segredar que falta-nos sentido pra vida. Ele até mesmo pode nos
mostrar, aos gritos, realidades nossas que preferíamos que ficassem
adormecidas.
Quando
era pastor de Guaíba, no Sul do Brasil, conheci o Jorge Sasso. Um cara
bem apessoado, educado, bem empregado, com casa e carro próprios, e
solteiro. Jorge era dessas pessoas que toda mãe gostaria para genro.
Além de trabalhar muito, ele fazia caratê, pintura e vários cursos.
A sua vida era extremamente agitada. Quase nunca estava parado. Sempre
tinha coisa pra fazer. Um dia, no caratê, recebeu um golpe no pescoço
e teve de ser levado às pressas para o hospital. Ficou seis meses engessado,
das pernas até a cabeça. Aí, descobriu por que não parava:
era um sujeito vazio. Percebeu que a única maneira de não ter de lidar
com a falta de sentido da sua vida era fazendo coisas. Como não podia
se mexer pra nada, desejou a morte. Então, gritava, pedindo às enfermeiras
que o matassem.
Houve
um tempo em que o silêncio era precioso aos recintos cristãos. Era
sinal de respeito e de sintonia espiritual. Com frequência, nos templos,
encontrávamos placas espalhadas pelo auditório, dizendo: “Silêncio
e Oração”. Algumas igrejas chegavam a pintar nas paredes frases
bíblicas, como: “O Senhor está em seu santo templo: cale-se toda
a terra”. Até mesmo nos cultos havia o silêncio de contrição.
Era quando o crente reverenciava o seu Deus e se recolhia para ouvir
o Senhor falar ao seu interior. Também, muitas vezes, o silêncio do
adorador era um meio dele expressar a inadequação das suas palavras
diante de Deus. Nesse tempo, culto era um convite à introspecção
e à oração.
Mas,
hoje, igreja calada não dá ibope. Silêncio se tornou sinônimo
de desânimo e tristeza. As nossas igrejas que outrora eram lugares
de silêncio, reflexão e santidade tornaram-se locais de barulho. E
já que culto se tornou sinônimo de festa, por associação, ele
deve ser cheio de algazarra, irreverência e estridência. Antigamente
os crentes estremeciam ante a presença santa de Deus. Hoje estremecem
pela altura das caixas de som. Para muitos, uma igreja avivada tem de
ser barulhenta e agitada. Quando uma igreja é reflexiva e ordeira,
costuma ser vista por muitos como sem vigor espiritual.
Quando
penso nisso, me lembro de Elias. Ele estava numa tremenda depressão.
Pediu a morte e achava que era o único fiel a Deus. Assim, Elias decidiu
entrar numa caverna. Com muita paciência, Deus lhe disse para sair
da caverna, pois ia se manifestar a ele. Então, diz a Bíblia, Deus
enviou um grande e forte vento, depois um terremoto e ainda um fogo,
mas o Senhor não estava em nada disso. Depois lhe enviou uma brisa
mansa e suave. Ali, naquele lugar calmo, Deus falou ao coração de
Elias e levantou-o.
Talvez
Deus não tenha ainda falado como quer ao seu coração porque você
anda muito agitado. Sua vida é um grande barulho? Então, aquiete-se.
Entre no seu aposento, como ensinou Jesus, e abra-se para Deus.
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