editoras evangélicas publicam muitos livros sobre experiências espirituais. É o sujeito que teve uma vida torta, às vezes bem errada, e, mercê de Deus, se converteu a Cristo e agora vive uma vida bonita. É alguém dado como inútil imprestável mesmo, pronto a ser jogado ao lixo, que milagrosamente foi alcançado pelo Senhor, restaurado, e agora vive uma nova vida em Jesus.
É sempre bom ouvir testemunhos da bondade de Deus e da graça salvadora de Jesus Cristo. O problema é quando a pessoa acha que todo mundo tem de ter a experiência dela; e que, se não a tiver, não é convertido ou é um crente de segunda categoria. Vejo isso, sobretudo, nos grupos pentecostais. É o sujeito que estrebuchou, rodopiou, deu cinco “glórias a Deus” para se converter, e acha que todo mundo também tem que passar por isso.
E aí o crente começa a basear sua fé nos seus impulsos emocionais. Quando o seu humor está bom e está se sentindo bem, acha que Deus está perto dele. Se o humor estiver ruim, com certeza Deus está distante. Muitos crentes falam muito em fé, mas colocam a emoção para orientar suas vidas. O problema é que o nosso humor é muito inconstante. Há dias em que estamos abatidos e de mal com a vida. Há dias que a gente não aguenta sequer a gente. Alguém até disse que o cúmulo da rebeldia é você ficar zangado com você mesmo, e sair de casa, dizendo: ”eu não volto para casa enquanto esse sujeito estiver aí.” Em contrapartida, há dias que a gente abraça e ri pra todo mundo. As emoções e a razão são bem-vindas e presentes na vida cristã, mas elas não sustentam o cristão. Viver pela fé é dizer: “eu não fundamento a minha vida na base das emoções.”
Há muitos crentes que dizem: “Eu sinto.” Não é sentir, é crer. Muitas vezes você vai sentir que Deus está muito longe de você. Há até aqueles que nunca acham que estão salvos porque não sentiram algo que a tia, a mãe, o pai ou irmão sentiram. É gente que diz: “Ah, eu não sei se sou cristão, e se sou salvo, porque eu nunca tive uma experiência emocional!” Aí você pergunta: “Você já entregou sua vida a Jesus? Você crê que ele morreu na cruz por você? Você crê que o seu sangue o purifica de todo o pecado? Então, você está com dúvida por quê?” Ela crê em tudo isso, mas não se sente salva. Acontece que a Bíblia não diz que o justo vive por sua experiência, mas por fé: “o justo viverá por sua fé” (Hq 2.4).
Há também aqueles que fazem coisas erradas, cometem pecado, e carregam um peso de culpa muito grande, não obstante terem se arrependido e suplicado perdão a Deus. Mesmo assim, eles não se sentem perdoados. São pessoas que entendem a gravidade do seu mal; creem que ofenderam a santidade de Deus e que também feriram o coração do Pai. Eles entendem que o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado; e que se confessarmos os nossos pecados e o deixarmos, nós alcançamos misericórdia. Mas o problema é que essa turma não se sente perdoada. Nessas horas, devemos perguntar: “Você vive pelo que Deus fala ou pelo que você sente?” Deus diz que o justo não vive pelas suas emoções. O justo vive pela fé. Ele se agarra às promessas de Deus, e pauta a sua confiança e vida no caráter de Deus.
Há ainda aqueles que pautam suas vidas pelas circunstâncias. Se as circunstâncias são boas, acham que Deus está com elas. Se são ruins, acham que Deus as abandonou. Mas Deus diz que o crente fiel não vive pelas circunstâncias ou pela emoção, mas pela fé: “o justo viverá por sua fé” (Hq 2.4). Pare de colocar os olhos nas coisas que estão acontecendo à sua volta, e descanse seus olhos no caráter de Deus. Não tire os olhos do Senhor sejam quais forem as circunstâncias. Mire-se em Deus. Caminhe confiado naquilo que Deus é, e nas Suas promessas.
Não confie nos seus próprios méritos, na sua bondade, nos seus esforços, nas suas emoções, no seu coração, na sua experiência ou nas circunstâncias. Confie em Deus, na Sua Palavra, nas Suas promessas, e no Seu Cristo, pois “o justo viverá por sua fé” (Hq 2.4).
Pastor Renato Cordeiro de Souza
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