Na Bíblia, súplica é uma oração feita com lágrimas. É alguém que está chorando diante de Deus. É como se a pessoa dissesse para Deus: “Eu não aguento mais, e nem sei o que fazer!” O Salmo 55 foi feito pelo rei Davi quando se sentia assim. Ele foi vítima da traição do seu próprio filho, Absalão, que usurpou o trono. Davi, de repente, teve de sair do palácio chorando, descalço, fugindo para o deserto, sem saber para onde ir.
A situação era tão desconcertante e atônita, que Davi ficou com taquicardia (v. 3). Ou seja, o seu coração não se segurava dentro da caixa torácica. Ele estava perplexo. E a sua perturbação foi tornando-o tenso, fraco, até que ele começou a desconfiar que não iria sobreviver, não iria sair dessa.
Além disso, Davi fala de “temor e tremor que me sobrevêm” (v.5). Ele estava com medo, mas seu medo chegou a desequilibrar o seu corpo. Não era um medo qualquer. Ele atingia tremendamente seu corpo. Assim, depois de pensar nas opções que tinha pela frente, Davi tomou uma decisão que, literalmente, fez bem ao seu coração. Então, ele decidiu escrever um Salmo para nos ensinar (Masquil) sobre o que devemos fazer quando ficamos estupefatos e furiosos.
A primeira opção pensada por Davi foi o escapismo. Ele queria desaparecer. Não queria ver ninguém nem conversar sobre o assunto. Ele disse: “Ah! Quem me dera ter asas como de pombas! Eu voaria e encontraria descanso” (v.6). Se pudesse, iria para uma ilha deserta. Quantas vezes, diante de conflitos, nós também temos o desejo de sumir. Há aqueles que fogem dos problemas tomando umas biritinhas. Outros, mais atrevidinhos, vão para as drogas; e há os que chegam a largar a família. Acontece que fuga e escapismo nunca ajudaram a resolver perplexidades e problemas. Ao contrário, só pioram a situação.
A segunda opção de Davi foi partir para a ignorância. Veja o que ele diz pra Deus: “Que a morte os assalte e desçam vivos ao mundo dos mortos” (v.15ª). Ele queria enterrar seus inimigos, mas enterrá-los vivos. Esta atitude também passa pela nossa cabeça quando, perplexos, nos sentimos prejudicados. Quantos não têm dito: “Eu vou lá quebrar a cara daquele vagabundo!”, ou “Vou dizer tudo aquilo que ela precisa ouvir”, ou ainda “Não vou deixar barato, não! Eu não tenho sangue de barata!”
Uma vez, perguntaram à Ruth Graham, esposa de Billy Graham se ela já teve vontade de se separar dele. Ela respondeu assim: “Separar, não, mas já tive vontade de matá-lo umas cinco vezes”. Muitas vezes, perturbada, a pessoa não briga com homem algum, mas resolve brigar com Deus. Ela faz imprecações, começa a blasfemar contra Deus, a zombar e ridicularizar a fé, abandona a crença e fica de mal com o Senhor. Só que nada disso resolve a situação.
Aí o Rei Davi pensou melhor, e disse: “Mas eu invocarei a Deus, e o Senhor me salvará... me queixarei e me lamentarei; e ele ouvirá minha voz” (v.16,17). Em outras palavras: “Estou com taquicardia, perplexo e com raiva, mas eu sei que o único lugar que posso ir é à presença de Deus. Ele vai me entender e me instruir”.
Parece que ele tomou tal decisão e percebeu que, passada a fúria, aquela foi a melhor opção da sua vida. Então, ele agora ensina, deixando-nos um conselho: “Entrega tuas ansiedades ao Senhor, e ele te dará sustentação; nunca permitirá que o justo seja abalado. (v. 22)”
Pode ser que o seu problema seja outro: uma oposição forte que você tem de enfrentar, uma calúnia, uma traição, não importa. O conselho é o mesmo: confia no Senhor, ele vai ser o seu advogado. Deixe Deus ser Deus nesta história. Vença o mal com o bem e transfira as suas tarefas para Deus. Aprenda com o rei Davi, e experimente o poder curador na Palavra de Deus.
Pastor Renato Cordeiro de Souza
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