Nós cremos e proclamamos que Cristo morreu
na cruz pelos nossos pecados, que ressuscitou, ascendeu ao céu e nos
comissionou, como igreja, para irmos ao mundo levar sua mensagem até que volte.
Mas, a pergunta que podem fazer é:
Como uma coisa que aconteceu a 2000 anos
atrás ainda pode exercer influência nas pessoas hoje? Como a obra de Cristo na cruz se torna
verdade, algo presente na nossa vida e na vida de qualquer pessoa?
Se alguém perguntasse ao
apóstolo Paulo qual é a melhor definição de conversão, ele diria que é estar
Nós somos herdeiros da reforma
protestante, que sustenta que a salvação vem da graça de Deus. É um ato de
Deus. Ele tornou a salvação possível a nós. A salvação chega a nós pela obra de
Jesus na cruz. Muitas vezes ouço crentes dizendo que somos salvos pela fé. Ef 2.8 – Pela graça sois salvos, por meio
da fé...” Graça é a chamada divina.
Fé é a resposta humana. Graça e fé se completam. Graça é a mão de Deus
estendida. Fé é a mão do homem que se estende para Deus. Graça são os braços
abertos de Deus, fé é o homem lançando-se neles. Graça é Deus dizendo: “eu
ofereço”. Fé é o homem dizendo: “eu aceito”.
Mas Deus não apenas trás a graça. Ele cria
a fé no homem. Deus idealiza a salvação, aplica a salvação e executa a
salvação. Ele a idealizou na eternidade, executou-a na história através do
Filho, e aplica-a no coração do homem através do Espírito Santo. A salvação
humana é um propósito para o qual toda a Trindade está unida e trabalha.
Ao homem é necessário algumas
coisas. A primeira é arrependimento. Ninguém é salvo à força. Ex: Ah, eu estava
no meu lugar e não queria me salvar, mas Deus me forçou a receber Cristo!
Ninguém é salvo a força, mesmo que queira. É preciso desejar ser salvo. Só que
a natureza moral corrompida do homem não o leva a Deus, mas no sentido oposto.
É necessário que ele mude.
Arrependimento não são duas
coisas: 1. tristeza em face de algum erro cometido e 2. prometer andar direito.
Arrependimento pode incluir estes dois elementos, mas é mais que isso.
Arrependimento é um julgamento que a pessoa faz de si mesmo. Ela se
auto-avalia. Ex> filho pródigo. Sua volta para casa se deu após avaliar a
sua vida, sua situação. Ele se arrependeu do que fizera, como disse no discurso
ao pai.
Segundo Lloyd-Jones, todos os homens na Bíblia que conheceram realmente a
experiência e o poder da graça de Deus em sua vida demonstraram evidência de
arrependimento. Por isso, João Batista começou seu ministério pregando o
batismo de arrependimento para remissão dos pecados. Jesus, em Marcos, também
começou seu ministério pregando que os homens deviam se arrepender. Pedro
quando pregou em pentecostes ouviu a multidão dizer: O que devemos fazer? –
Arrependei-vos. Sem arrependimento não há conversão e salvação. É uma mudança
de mente. O homem deve dar conta que é pecador culpado. Deve morrer o amor pelo
pecado. E, em terceiro lugar, vem o repúdio ao pecado. Há agora um voltar-se
para Deus e para o seu serviço. Então,
há uma parte do homem para a sua conversão.
É outro passa necessário. João Batista: arrependei-vos e crede. Crer é o passo
seguinte. Muitas vezes é um passo paralelo com o arrependimento. Há muita gente
que diz: o que vale é que tenho fé. Eu
creio. Mas não basta ter fé. Pode-se
crer em algo errado. É possível ter
fé em pessoa errada. A questão fundamental é em quem se crê. A salvação vem
pelo fato de se crer em alguém, Jesus Cristo, que fez algo, morreu pelos nossos
pecados. Fé não pode salvar. Cristo
salva. Fé aceita a salvação. A fé não merece nada, não é uma boa obra que
fazemos. A única importância da fé é que ela nos liga com Cristo. Não é ter fé
ou não. Mas é ter fé em Cristo. É crer em Cristo.
Há três elementos na fé: 1. o intelectual, 2. o emotivo. 3. o
volitivo (a vontade).
1.
O 1. intelectual – A fé envolve razão,
conhecimento. Há uma crença na revelação de Deus, mesmo que
seja na revelação natural de Deus. Mas, principalmente, nos fatos históricos
das Escrituras e nos seus ensinos. Pecado, arrependimento.
Pergunta: um débil mental pode ter fé? Resposta do
Dr Purim: Vá perguntar a ele. Se ele não consegue responder no que crê,
então não crê. Crer é um ato de fé, mas envolve a razão, por mais limitada
que seja a pessoa. Paulo diz: eu sei em
quem tenho crido – 2Tm 1.12. A pessoa não precisa ser um gênio, mas precisa
saber no que está crendo. Ex: Manuel
Medas.
Hoje, muitas pregações não
levam a sério esse elemento. Muitas das pregações estão mais voltadas para as
emoções . Mas a fé também é compreensão.
Crise de fé de Asafe, no Salmo 73, terminou quando ele compreendeu: vs
17 - então eu percebi o fim deles. Stott: Crer é também pensar.
2.
Emocional – A fé envolve emoções também. As nossas igrejas mais
tradicionais costumam se esquecer disso. Enfatizamos muito o conhecimento sobre
Deus e esquecemos que o homem é um ser emotivo. Thiessen – É o despertar da alma para suas necessidades pessoais e para a
aplicabilidade pessoal da redenção fornecida
O
movimento carismático inverte isso. EMOÇÃO – FATO – FÉ. Para eles, a emoção passa a validar o fato.
A pessoa sentiu, então é verdade, e a pessoa passa a ter fé no que sente. Não
se pode trocar a ordem, mas devemos recordar que o relacionamento correto com
Deus produz alegria. O relacionamento correto com Deus produz emoção: Davi – Salmo 51.10 – restitui-me a alegria
da salvação. Isso foi perdido com o
pecado, Salmo 32.3 – Enquanto guardei
silêncio, consumiram-se os meus ossos pelo meu bramido todos os dias.
Então, o desequilíbrio emocional e a histeria devem ser bem analisados. Podem
ser apenas descontrole de emoções. Mas tirar da fé o elemento emocional pode reduzi-la a mero exercício mental,
parecido com o racionalismo cristão ou agnosticismo bíblico.. Se crer é também
pensar, crer é também se alegrar, é arrepender-se e ter belas e sadias emoções.
3.
o volitivo – Entendo que fé também possui um elemento
de vontade. É mais que uma simples
admissão intelectual de certos fatos ou verdades espirituais a fé. É envolver sua vida, sua vontade, razão e
emoções. Crer
4.
Então, a fé tem um lado divino: é um dom de Deus. Rm 12.3, 2Pe. 1.1. O
lado divino é dar vida a um morto, conforme Ef 2.1. Ele nos desperta para a
vida. Só Deus pode fazer isso. Mas há um lado humano: compreensão intelectual da
revelação divina, ao mesmo tempo a Bíblia nos exorta a termos fé. Seria
estranho nos exortar a uma coisa que não podemos ter. Mt 21.21.
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