DEUS OU O DESESPERO
Um gerente de banco enfartou e morreu, aos 45 anos. A família enlutada me pediu que dirigisse o funeral. O corpo foi para autópsia, e só chegou à capela meia-hora antes do sepultamento. Para complicar, o gerente morto vinha se sentindo discriminado no trabalho, e a viúva começou a acusar a direção do banco de ter matado o marido. Após o sepultamento, já em casa, ela declarou que quando soube da morte do marido começou a xingar e blasfemar contra Deus. Veio a pergunta: “Há perdão para mim?” Eu me lembro que abri a Bíblia e disse pra ela: “Vamos ver o que Deus diz na Sua Palavra”. Li: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.7). Então, nos ajoelhamos ali, e ela orou pedindo perdão a Deus. Saí do seu lar deixando um ambiente calmo e cheio de paz.
O Salmo 130 é conhecido como o “Salmo da profundidade”. É que o autor começa-o, dizendo: “Das profundezas a Ti clamo, Senhor”. O Salmo enfoca a vida quando há acúmulo de desespero, tristeza, crise e pecado. É possível sair da agonia do nosso desespero para uma experiência mais profunda com Deus.
Sofrimento é algo real, que nos incomoda, e muitas vezes nos prostra e infelicita. O salmista não tem vergonha de dizer que sentia dor; que sua alma estava no fundo do abismo; que ele estava sem saída, e até sem saber o que fazer. Tão diferente dos pregadores televisivos que afirmam que a doença é uma mentira e que crente com fé não sofre. Este Salmo deve nos levar a respeitar as pessoas, com as suas dores. Sofremos porque vivemos num mundo pecador. Sofremos quando erramos. Sofremos quando vemos um ente querido sofrendo. Sofremos quando erram conosco, e temos a reputação manchada por uma calúnia, por uma mentira, por uma traição ou pecado.
O sofrimento pode nos levar ao desespero. No sofrimento, não poucas vezes encontramos pessoas em pânico, querendo se matar ou matar alguém. Outras se descontrolam e chutam portas, paredes e até pessoas. Gente que quer reagir à dor, só não sabe bem ao certo o que fazer. Não poucas vezes, a dor mostra as nossas limitações. Nessas horas descobrimos que os nossos recursos são insuficientes para aquela crise. Aí ela dói mais.
Mas muitas pessoas têm encontrado no sofrimento uma oportunidade para se voltar para Deus. A partir do sofrimento, algumas pessoas tiveram uma nova disposição para fazer uma caminhada com o Senhor. No Salmo 130, o poeta passou a ter desejos crescentes em direção a Deus: ele procurou Deus como um vigia noturno anela pela manhã. Primeiro ele aguardou o Senhor, depois esperou na Sua Palavra e, finalmente, ansiou por Ele.
A partir de uma experiência de medo ou de desespero, nós podemos começar uma nova vida nos relacionando com Deus, deixando que Ele se torne nosso grande amigo. Podemos permitir que Ele cuide das nossas dores, perdoe nossos pecados, e dê novo sabor às nossas experiências. Se Deus e você forem amigos, você não precisará temer mais nada. Se forem íntimos, você poderá experimentar o prazer da amizade dEle, mesmo na dor.
Quatro garotinhos brincavam na rua, e um deles afirmou todo prepotente: “Meu pai conhece o prefeito da cidade e tem muita amizade com ele”. O outro, pra não ficar atrás, disse: “Meu pai conhece o governador. Eles são muito amigos.” Aí, um deles emendou: “E, meu pai conhece o delegado. Ninguém prende ele”. Um garotinho ficou quieto, mas instado a falar sobre o seu pai, contou: “Meu pai conhece Deus. Vejo-o conversando com Ele todos os dias.” Conhecer Deus, e tê-Lo como amigo é o maior consolo que uma pessoa pode ter em tempos de sofrimento e dor. Entre a dor e o desespero, opte por Deus. Você já O conhece? Então, o que está esperando?
Pastor Renato Cordeiro de Souza
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