A MALDIÇÃO DA IDOLATRIA
A Bíblia diz que a maldição da idolatria é que a pessoa se torna igual ao ídolo que adora (Sl 115.8). Adore uma imagem que não fala, não vê, não cheira nem se move, e você se tornará tão cego e inválido quanto ela. Adore seu time de futebol e, sem perceber, rapidamente você estará tão fútil e instável quanto seus jogadores. Faça do bar da esquina o templo da sua vida, e tão logo estará prostrado diante de uma bebida. Adore os astros da TV, e sua conversa será tão vazia quanto os diálogos das novelas.
Li uma frase que me tocou: “Adore algo feito por mãos humanas e você se transformará numa pessoa menor. Adore doutrinas, mesmo doutrinas cristãs, e você se tornará uma pessoa inflexível, inarredável e apenas meio humana.” Verdade pura.
Os judeus ensinam que há 613 mandamentos na Lei de Moisés (Torá): 365 negativos, relativos ao número de dias do ano, e 248 regrinhas positivas, correspondentes ao número de ossos ou de órgãos importantes no corpo humano. E, no afã de obedecerem a todas essas regras, sem perceberem, muitos deles começaram a adorá-las.
O adorador de doutrinas, mesmo as bíblicas, torna-se desumano. A Lei de Moisés dizia para guardar o sábado. Era o dia de descanso. Por isso, ao verem Jesus curar pessoas, no sábado, passaram a planejar Sua morte. No sábado, eles podiam maquinar o mal, mas Jesus estava impedido de fazer o bem. Doutrinas para eles era mais importante do que a vida humana.
O adorador da letra da Lei torna-se incoerente. Ele é capaz de fazer um escarcéu por causa do dízimo, mas é incapaz de ser misericordioso. Aliás, ninguém que hoje critique o dízimo, por estamos na graça, o faz para ser mais generoso, como foram os crentes das igrejas da Macedônia (2Co 8). O único lugar em que a graça se torna mais mesquinha do que a Lei de Moisés é na cabeça do adorador de doutrinas.
O adorador de doutrinas é orgulhoso. Na época de Jesus, eles gostavam de exibir suas virtudes para serem apreciados pelos outros. Eles sempre se achavam melhores, mais puros, mais sábios, mais preparados, mais santos... Hoje, continuam achando que têm o monopólio da verdade. Mas Jesus mesmo não se impressionava com eles. Comparou-os a sepulcros caiados: bonitos por fora, mas podres por dentro.
O adorador de doutrinas, mesmo as cristãs, é uma pessoa cega. Vive em função das suas regrinhas, e não sob a graça de Deus. É impiedoso com o erro dos outros, mas condescendente com os seus. Por isso, tem poucos amigos. E, em vez de ajudar o evangelho, atrapalha-o. Tem zelo pelas coisas Deus, mas não com entendimento. Acha que está abafando, mas não vê que, simplesmente, tornou-se uma pessoa inflexível e menor.
Há quem ame mais suas convicções doutrinárias do que a Deus. Se é seu caso, você é idólatra, e está ficando frio e sem vida, como a letra da Lei. É bom ter zelo pelas coisas de Deus, mas melhor é amá-lO de todo o coração. Pois, quando O amamos assim, a nossa vida vai ficando bonita como a dEle.
Pr. Renato Cordeiro de Souza
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