“E
o tempo da minha partida está
próximo” (2Tm 4.6b). Essas palavras foram ditas pelo apóstolo
Paulo quando tinha nas mãos a sua sentença de morte. Agora só lhe
restava esperar a hora de ser sacrificado. Mas, curiosamente, em vez
de ficar desesperado, aflito ou revoltado, Paulo enche-se de esperança.
Ele sairá de cena, mas sabe que partirá para se encontrar com Seu
Senhor e Salvador. Ele usa a palavra “partida” para expressar a
sua morte. Com isso ele nos mostra como encarava com esperança a morte
iminente. É que esta palavra, no grego daqueles dias, evocava muitas
imagens. Cada uma delas nos explica o que é deixar esta vida para um
crente em Cristo.
Ela
era usada para designar o momento quando a canga era retirada
de um animal de carga. Naquela época, os carros de arado eram
levados por dois animais. A canga era colocada no pescoço de cada um
e eles eram impelidos a caminhar e a arar a terra. Era um trabalho penoso.
Quando acabavam o trabalho e era tirado o jugo, os animais estavam estafados.
Finalmente, podiam descansar. Assim, é como se Paulo dissesse: “Longe
de ser um momento penoso e de sofrimento, a minha saída de cena será
como deixar cair a carga pesada que colocaram sobre mim. Finalmente,
vou deixar todo este peso cair e chegar à casa paterna para descansar”.
Mas
a expressão também era usada para o momento quando o prisioneiro
era liberto da algemas. Chegara aquela hora tão aguardada quando
o carcereiro, finalmente, dizia: “Você está livre!”. Paulo conhecia
muito bem o que era ouvir isso porque já estivera preso. E, quando
escrevia estas palavras, encontrava-se na masmorra romana, aguardando
a sua sentença. A morte do crente não é um salto no escuro, ou algo
que lhe oprima, mas a tão sonhada libertação rumo ao Reino eterno
de Deus.
Não
poucas vezes a palavra usada por Paulo para designar sua morte era empregada
pelo comandante de uma tropa. Quando chegava a hora de levantar
o acampamento, e o comandante dizia:
“Pelotão, marche!” A morte para o apóstolo era como ouvir
o supremo comandante, Jesus Cristo, ordenando que ele, finalmente, marchasse
para a glória do céu.
A
palavra era, por vezes, aplicada para o momento quando um navio,
que estava atracado no cais, ia levantar as
âncoras, tirar as amarras do ancoradouro, içar as velas, e
partir. A morte para Paulo, e para os que creem em Cristo, é a bendita
hora quando o crente vai embarcar no bom navio que está esperando ao
largo, para desvendar o oceano da plena graça de Deus e partir rumo
ao seu porto de glória.
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