Os discípulos de Jesus Cristo que vieram a ser designados pelo nome batista se caracterizavam pela sua
fidelidade às Escrituras e por isso só recebiam em suas comunidades, como membros atuantes, pessoas
convertidas pelo Espírito Santo de Deus. Somente essas pessoas eram por eles batizadas e não
reconheciam como válido o batismo administrado na infância por qualquer grupo cristão, pois, para eles,
crianças recém-nascidas não podiam ter consciência de pecado, regeneração, fé e salvação.
Para
adotarem essas posições eles estavam bem fundamentados nos Evangelhos e nos demais livros do Novo
Testamento. A mesma fundamentação tinham todas as outras doutrinas que professavam. Mas sua
exigência de batismo só de convertidos é que mais chamou a atenção do povo e das autoridades, daí
derivando a designação “batista” que muitos supõem ser uma forma simplificada de “anabatista”,
“aquele que batiza de novo”.
Através dos tempos, os batistas se têm notabilizado pela defesa destes princípios: 1o) A aceitação das Escrituras Sagradas como única regra de fé e conduta. 2o) O conceito de igreja como sendo uma comunidade local democrática e autônoma, formada de pessoas regeneradas e biblicamente batizadas. 3o) A separação entre igreja e estado. 4o) A absoluta liberdade de consciência. 5o) A responsabilidade individual diante de Deus. 6o) A autenticidade e apostolicidade das igrejas. Para os batistas, as Escrituras Sagradas, em particular o Novo Testamento, constituem a única regra de fé e conduta. Abaixo você encontra um pouco mais sobre nossas convicções.
Escrituras Sagradas
A Bíblia é a palavra de Deus em linguagem humana. É o registro da
revelação que Deus fez de si mesmo aos homens. Sendo Deus seu
verdadeiro autor, foi escrita por homens inspirados e dirigidos pelo
Espírito Santo. Tem por finalidade revelar os propósitos de Deus, levar
os pecadores à salvação, edificar os crentes, e promover a glória de
Deus. Seu conteúdo é a verdade, sem mescla de erro, e por isso é um
perfeito tesouro de instrução divina. Revela o destino final do mundo e
os critérios pelo qual Deus julgará todos os homens. A Bíblia é a
autoridade única em matéria de religião, fiel padrão pelo qual devem
ser aferidas as doutrinas e a conduta dos homens. Ela deve ser
interpretada sempre à luz da pessoa e dos ensinos de Jesus Cristo.
O único Deus vivo e verdadeiro é Espírito pessoal, eterno, infinito e imutável; é onipotente, onisciente, e onipresente; é perfeito em santidade, justiça, verdade e amor. Ele é o criador, sustentador, redentor, juiz e Senhor da história e do universo, que governa pelo seu poder, dispondo de todas as coisas, de acordo com o seu eterno propósito e graça. Deus é infinito em santidade e em todas as demais perfeições. Por isso, a ele devemos todo o amor, culto e obediência. Em sua triunidade, o eterno Deus se revela como Pai, Filho e Espírito Santo, pessoas distintas mas sem divisão em sua essência.
1- Deus Pai Deus, como Criador, manifesta disposição paternal para com todos os homens. Historicamente ele se revelou primeiro como pai ao povo de Israel, que escolheu consoante os propósitos de sua graça. Ele é Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem enviou a este mundo para salvar os pecadores e deles fazer filhos por adoção. Aqueles que aceitam a Jesus Cristo e nele crêem são feitos filhos de Deus, nascidos pelo seu espírito, e, assim, passam a tê-lo como Pai celestial, dele recebendo proteção e disciplina.No princípio o homem
vivia em estado de inocência e mantinha perfeita comunhão com Deus.
Mas, cedendo à tentação de Satanás, num ato livre de desobediência
contra seu Criador, o homem caiu no pecado e assim perdeu a comunhão
com Deus e dele ficou separado. Em conseqüência da queda de nossos
primeiros pais, todos somos, por natureza, pecadores e inclinados à
prática do mal. Todo pecado é cometido contra Deus, sua pessoa, sua
vontade e sua lei. Mas o mal praticado pelo homem atinge também o seu
próximo. O pecado maior consiste em não crer na pessoa de Jesus Cristo,
o Filho de Deus, como salvador pessoal. Como resultado do pecado, da
incredulidade e da desobediência do homem contra Deus, ele está sujeito
à morte e à condenação eterna, além de se tornar inimigo do próximo e
da própria criação de Deus. Separado de Deus, o homem é absolutamente
incapaz de salvar-se a si mesmo e assim depende da graça de Deus para
ser salvo.
A salvação é outorgada por Deus
pela sua graça, mediante arrependimento do pecador e da sua fé em Jesus
Cristo como único Salvador e Senhor. O preço da redenção eterna do
crente foi pago de uma vez por Jesus Cristo, pelo derramamento do seu
sangue na cruz. A salvação é individual e significa a redenção do homem
na inteireza do seu ser. É um dom gratuito que Deus oferece a todos os
homens e que compreende a regeneração, a justificação, a santificação e
a glorificação.
A regeneração é o ato inicial da salvação em que
Deus faz nascer de novo o pecador perdido, dele fazendo uma nova
criatura em Cristo. É obra do Espírito Santo em que o pecador recebe o
perdão, a justificação, a adoção como filho de Deus, a vida eterna e o
dom do Espírito Santo. Nesse ato o novo crente é batizado no Espírito
Santo, é por ele selado para o dia da redenção final, e é liberto do
castigo eterno dos seus pecados. Há duas condições para o pecador ser
regenerado: arrependimento e fé. O arrependimento implica mudança
radical do homem interior, por força do que ele se afasta do pecado e
se volta para Deus. A fé é a confiança e aceitação de Jesus Cristo como
Salvador e a total entrega da personalidade a ele por parte do pecador.
Nessa experiência de conversão o homem perdido é reconciliado com Deus,
que lhe concede perdão, justiça e paz.
A justificação, que ocorre simultaneamente com a regeneração, é o ato
pelo qual Deus, considerando os méritos do sacrifício de Cristo,
absorve, no perdão, o homem de seus pecados e o declara justo,
capacitando-o para uma vida de retidão diante de Deus e de correção
diante dos homens. Essa graça é concedida não por causa de quaisquer
obras meritóritas praticadas pelo homem mas por meio de sua fé em
Cristo.
A santificação é o processo que, principiando na
regeneração, leva o homem à realização dos propósitos de Deus para sua
vida e o habilita a progredir em busca da perfeição moral e espiritual
de Jesus Cristo, mediante a presença e o poder do Espírito Santo que
nele habita. Ela ocorre na medida da dedicação do crente e se manifesta
através de um caráter marcado pela presença e pelo fruto do Espírito,
bem como por uma vida de testemunho fiel e serviço consagrado a Deus e
ao próximo.
A glorificação é o ponto culminante da obra da
salvação. É o estado final, permanente, da felicidade dos que são
redimidos pelo sangue de Cristo.
O reino de Deus é o domínio soberano e universal de Deus e é eterno. É também o domínio de Deus no coração dos homens que, voluntariamente, a ele se submetem pela fé, aceitando-o como Senhor e Rei. É, assim, o reino invisível nos corações regenerados que opera no mundo e se manifesta pelo testemunho dos seus súditos. A consumação do reino ocorrerá com a volta de Jesus Cristo, em data que só Deus conhece, quando o mal será completamente vencido e surgirão o novo céu e a nova terra para a eterna habitação dos remidos com Deus.
Igreja é uma congregação local de pessoas regeneradas e batizadas após profissão de fé. É nesse sentido que a palavra “igreja” é empregada no maior número de vezes nos livros do Novo Testamento. Tais congregações são constituídas por livre vontade dessas pessoas com finalidade de prestarem culto a Deus, observarem as ordenanças de Jesus, meditarem nos ensinamentos da Bíblia para a edificação mútua e para a propagação do evangelho. As igrejas neotestamentárias são autônomas, têm governo democrático, praticam a disciplina e se regem em todas as questões espirituais e doutrinárias exclusivamente pelas palavras de Deus, sob a orientação do Espírito Santo. Há nas igrejas, segundo as escrituras, duas espécies de oficiais: pastores e diáconos. As igrejas devem relacionar-se com as demais igrejas da mesma fé e ordem e cooperar, voluntariamente, nas atividades do reino de Deus. O relacionamento com outras entidades, quer seja de natureza eclesiástica ou outra, não deve envolver a violação da consciência ou o comprometimento da lealdade a Cristo e sua palavra. Cada igreja é um templo do Espírito Santo. Há também no Novo Testamento um outro sentido da palavra “igreja” em que ela aparece como a reunião universal dos remidos de todos os tempos, estabelecida por Jesus Cristo e sobre ele edificada, constituindo-se no corpo espiritual do Senhor, do qual ele mesmo é a cabeça. Sua unidade é de natureza espiritual e se expressa pelo amor fraternal, pela harmonia e cooperação voluntária na realização dos propósitos comuns do reino de Deus.
O batismo e a
ceia do Senhor são as duas ordenanças da igreja estabelecidas pelo
próprio Jesus Cristo,sendo ambas de natureza simbólica. O batismo
consiste na imersão do crente em água, após sua pública profissão de fé
em Jesus Cristo como Salvador único, suficiente e pessoal. Simboliza a
morte e sepultamento do velho homem e a ressurreição para uma nova vida
em identificação com a morte, sepultamento e ressurreição do Senhor
Jesus Cristo e também prenúncio da ressurreição dos remidos.
O
batismo, que é condição para ser membro de uma igreja, deve ser
ministrado sob a invocação do nome do Pai, do Filho e do Espírito
Santo. A ceia do Senhor é uma cerimônia da igreja reunida, comemorativa
e proclamadora da morte do Senhor Jesus Cristo, simbolizada por meio
dos elementos utilizados: O pão e o vinho. Nesse memorial o pão
representa seu corpo dado por nós no Calvário e o vinho simboliza o seu
sangue derramado. A ceia do Senhor deve ser celebrada pelas igrejas até
a volta de Cristo e sua celebração pressupõe o batismo bíblico e o
cuidadoso exame íntimo dos participantes.
A missão primordial do povo de Deus é a evangelização do mundo, visando à reconciliação do homem com Deus. É dever de todo discípulo de Jesus Cristo e de todas as igrejas proclamar, pelo exemplo e pelas palavras, a realidade do evangelho, procurando fazer novos discípulos de Jesus Cristo em todas as nações, cabendo às igrejas batizá-los a observar todas as coisas que Jesus ordenou. A responsabilidade da evangelização estende-se até aos confins da terra e por isso as igrejas devem promover a obra de missões, rogando sempre ao Senhor que envie obreiros para a sua seara.
Deus e somente Deus é o Senhor da consciência. A liberdade religiosa é um dos direitos fundamentais do homem, inerente à sua natureza moral e espiritual. Por força dessa natureza, a liberdade religiosa não deve sofrer ingerência de qualquer poder humano. Cada pessoa tem o direito de cultuar a Deus, segundo os ditames de sua consciência, livre de coações de qualquer espécie. A igreja e o Estado devem estar separados por serem diferentes em sua natureza, objetivos e funções. É dever do Estado garantir o pleno gozo e exercício da liberdade religiosa, sem favorecimento a qualquer grupo ou credo. O Estado deve ser leigo e a Igreja livre. Reconhecendo que o governo do Estado é de ordenação divina para o bem-estar dos cidadãos e a ordem justa da sociedade, é dever dos crentes orar pelas autoridades, bem como respeitar e obedecer às leis e honrar os poderes constituídos, exceto naquilo que se oponha à vontade e à lei de Deus.
A família, criada por Deus para o bem do homem, é a primeira instituição da sociedade. Sua base é o casamento monogâmico e duradouro, por toda a vida, só podendo ser desfeito pela morte ou pela infidelidade conjugal. O propósito imediato da família é glorificar a Deus e prover a satisfação das necessidades humanas de comunhão, educação, companheirismo, segurança, preservação da espécie e bem assim o perfeito ajustamento da pessoa humana em todas as suas dimensões. Caída em virtude do pecado, Deus provê para ela, mediante a fé em Cristo, a bênção da salvação temporal e eterna, e quando salva poderá cumprir seus fins temporais e promover a glória de Deus.
Todos os homens são marcados pela finitude, de vez que, em conseqüência do pecado, a morte se estende a todos. A Palavra de Deus assegura a continuidade da consciência e da identidade pessoais após a morte, bem como a necessidade de todos os homens aceitarem a graça de Deus em Cristo enquanto estão neste mundo. Com a morte está definido o destino eterno de cada homem. Pela fé nos méritos do sacrifício substitutivo de Cristo na cruz, a morte do crente deixa de ser tragédia, pois ela o transporta para um estado de completa e constante felicidade na presença de Deus. A esse estado de felicidade as Escrituras chamam “dormir no Senhor”. Os incrédulos e impenitentes entram, a partir da morte, num estado de separação definitiva de Deus. Na Palavra de Deus encontramos claramente expressa a proibição divina da busca de contato com os mortos, bem como a negação da eficácia de atos religiosos com relação aos que já morreram.
Deus, no exercício de sua sabedoria, está conduzindo o mundo e a história a seu termo final. Em cumprimento à sua promessa, Jesus Cristo voltará a este mundo, pessoal e visivelmente, em grande poder e glória. Os mortos em Cristo serão ressuscitados, arrebatados e se unirão ao Senhor. Os mortos sem Cristo também serão ressuscitados. Conquanto os crentes já estejam justificados pela fé, todos os homens comparecerão perante o tribunal de Jesus Cristo para serem julgados, cada um segundo suas obras, pois através destas é que se manifestam os frutos da fé ou os da incredulidade. Os ímpios condenados e destinados ao inferno lá sofrerão o castigo eterno, separados de Deus. Os justos, com os corpos glorificados, receberão seus galardões e habitarão para sempre no céu como o Senhor.
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